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Luzes.. Mariana.. AÇÃO!!

Blogue de uma rapariga com os pés na Terra e a cabeça na Lua

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História: O tempo é relativo

Como disse no último post, o blog é meu, por isso vou escrever o que eu quero. Espero muitooo que gostem, deixem nos comentários a vossa opinião.

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O tempo é relativo 

Parada no tempo. Era como eu me sentia. Não conseguia parar de olhar para os ponteiros do relógio, que se moviam muito lentamente, como uma tartaruga a andar. Um... Dois... Três... passavam os segundos. Há quem diga que o tempo é relativo mas eu acho que o tempo é simplesmente irritante e gosta de fazer jogos conosco. Quando estamos bem ele passa mais rápido do que nunca. Agora quando estamos numa situação destas a coisa já é diferente. Os meus olhos já estavam saturados. Fechavam e abriam como se eu não os conseguisse controlar. A sala estava a ferver. 

 - Ufff...

 - O que se passa? Está com calor? Se calhar, o melhor mesmo é ir refrescar as ideias lá fora, não? - Disse a professora. 

Agora eu nem podia suspirar!? Aquela aula já era o que era e agora eu nem podia suspirar!? Aquilo ia de mal a pior...

 - Não posso suspirar, é? Incomoda-a? Não posso ter calor? E ir me embora, posso? Porque é o que eu vou fazer! - Levantei-me, arrumei as coisas e fui-me embora. Foi muito mal pensado porque levei a centésima reprimenda do dia, mas o que interessa é que eu já estava pelos cabelos. Tudo me corria mal! E eu nem pensei muito bem no que estava a fazer. Nem tive tempo de olhar para a cara dos meus "amigos". Só vi o olhar de censura que a Joana fez, como se me quisesse dizer que estava a ser precipitada, e, de facto, estava.

Quando cheguei ao corredor é que me lembrei que, se calhar, tinha sido UMA COMPLETA ESTÚPIDA. Já sabia muito bem que são os professores que metem os alunos na rua, que não são os alunos que se "autoexpulsam". Mas pronto, saltou-me a tampa, acontece a todos, certo?

Mas resumindo, cheguei ao corredor e só me apetecia bater com a cabeça na parede. E quando tocou ainda foi pior. Só os comentários: "Agora és chunga?" e "É o teu recorde!" fizeram-me ficar ainda mais irritada. Qual é o problema deles? Não estou numa semana boa, pronto! Lá por ser a terceira vez que me passo na aula, não quer dizer que sou chunga, acho eu...

E não é só isto. Têm me acontecido coisas mesmo muito estranhas. Eu diria que é magia, mas eu sou mais realista do que isso. Primeiro, eu estava muito bem a andar quando algo me empurrou com muita força e eu me estatelei no chão. Quando eu olhei para trás não estava lá ninguém. No princípio eu achei que ou era alguém a tentar chatear-me ou era mesmo o cansaço, porque eu estava estafada nesse dia. Mas essa não foi a única vez. Também aconteceu numa aula de Matemática. O professor fez uma pergunta à turma, cuja a resposta eu definitivamente não sabia, e o meu braço levantou-se sem eu querer, como se alguém o estivesse a puxar. Valeu-me um telefonema aos meus pais. O professor achou que eu estava a gozar com ele, quando lhe disse que não sabia resposta e tinha levantado o braço sem querer. E depois foi nesta última aula de Geografia. Quando eu estava a olhar para o relógio eu vi os ponteiros a mexerem-se de uma forma muito estranha. A andarem para trás. Mas admito que deve ser só cansaço.

 - Estás cá, Guida? Alô? - Disse a minha avó enquanto estalava os dedos de forma a chamar a minha atenção.

 - Sim, estou...

 - Ouviste o que o teu pai perguntou? - Eu acenei a cabeça - Oh! Tira os phones! O teu pai perguntou se já recebeste a nota de Francês!

Os meus pais estavam numa espécie de negociação. Eles eram diplomatas, ou seja, tinham de tentar que os países não fizessem guerras e esse género de coisas, o que agora era complicado, por causa da tensão entre os Estados Unidos, a Coreia do Norte e outros países. Eu tinha muito orgulho dos meus pais. Trabalhar na ONU não é para todos, e eles tiveram de estudar muito para chegar lá. 

 - Sim, já recebi. Tive um 4.

 - Que bom - disse o meu pai, através do tablet, visto que estávamos a fazer uma videochamada - E olha a escola ligou-me e...

 - Eu sei, ok!? Já chega, deixem-me estar!

 - Mas eu e a tua mãe não estamos chateados. Nós entendemos que estás revoltada com tudo isto...

 - Eu não estou! Eu já estou habituada! Estou numa má semana, só isso.

 - Muito má mesmo - Disse a minha avó entredentes. Eu fingi que não ouvi.

 - Vou lá para cima, sim? - Perguntei eu. Mesmo que a minha avó respondesse que não, eu iria na mesma. Ela não é minha mãe, por isso não tem assim muita autoridade. No entanto, eu respeito-a muito mais do que alguma vez respeitei a minha mãe. Sinto que os meus pais estão em dívida comigo, por me deixarem durante meses seguidos, mas por outro lado penso como seria se eles simplesmente nem tivessem trabalho. Se calhar é melhor assim.

Subi as escadas de dois em dois degraus, como sempre. Entrei no meu quarto que tinha na porta um cartaz da minha banda preferida, os Rock Gods, e fechei a porta. Apetecia-me ouvir música aos altos berros até chegar a hora de almoço e assim fiz. Meti a minha música favorita dos Rock Gods no som máximo e comecei a dançar e a cantar. Eis que a aparelhagem se desligou. Devia ter sido um Curto Circuito. Ia chamar a minha avó, mas da minha boca não saia  nada. Tentei levantar-me e não consegui. De repente, reparei que o relógio estava parado. Os ponteiros não se moviam. Até começarem a andar para trás. Primeiro devagar, e depois cada vez mais rápido. Comecei a ver a a luz do dia a mudar, ficou mais escuro, e depois a luz voltou e depois mais escuro... Como se os dias e as noites estivessem a passar muito rápido. A minha avó entrou e saiu do quarto, mas estava estranha. Andava ao contrário, de frente para trás e muito, mas muito mais rápido do que o normal. E depois entrei eu. Uma cópia exata de mim entrou no quarto e sentou-se e levantou-se e deitou-se e depois ficou de noite. E de dia. E eu e a minha avó continuávamos a entrar e a sair e a andar para trás. Era como... Se eu estivesse a andar atrás no tempo.

 

CONTINUA...

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